sexta-feira, outubro 20, 2006

Desta vez é que é!!

Os Delfins estão de volta! Diz que sim. Diz que desta vez é que esse conjunto musical de culto e sucesso popular vai chegar aos escaparates do mundo e arredores e quem sabe até, ao próprio centro nevrálgico da moderna cultura urbana: Mogofores, Portugal.

Li num dos maiores bastiões de informação fidedigna e seguramente sustentada, que os indivíduos até já estão em Londres a gravar aquele que será o novo disco ao fim de cinco anos! Ou seria o quinto disco ao fim de um ano? Com a breca, mas porque razão não prestei atenção? Ah pois é, estamos a falar dos Delfins...

O meu maior esgar de maxilares aconteceu, a meio do parágrafo, quando li que o tipo que está a produzir o novo disco, que certamente deve achar-se um moderno milagreiro, já que nem o próprio Messias, Rei dos Judeus conseguiria fazer os Delfins soar bem, já fez entre outros biscates mais ou menos duvidosos alguns discos dos Depeche Mode e dos Judas Priest!!



Imaginei-me logo na frente de um palco a ver o Miguel Ângelo a puxar uns agudos bandidos enquanto se tentava lembrar do resto da letra da “Painkiller” ou do “Hell Bent For Leather”!!

Avante Delfins! Mogofores ama-vos!

Rambóia Cultural – “A Minha Vida É Um Cabaret”

Considero-me um indivíduo muito dado às coisas da arte. Gosto daquilo, faz-me sentir como se fosse muito culto e privasse com gente do meio, da música à pintura, passando pela escrita e arte mural, que é como quem diz dos Delta Band Nove ao Amílcar, pintor de letras, passando pelo tipo que escrevia nas paredes do wc do Lusideia e às amareladas manchas de urina que todos os fins-de-semana são deixadas em redor do Rab Xenif. Mas às vezes também gosto de música à séria e de escrita idêntica e não me importo absolutamente nada de repetir vezes sem conta o prazer que me dá disfrutar dessas manifestações culturais.

Conheço pessoas que não gostam de ver o mesmo filme duas vezes. Eu cá não me importo nada. Não me importa se já vi a Aria Giovanni naquela cena ou não, se já conheço de cabeça aquele diálogo da Jenna Jameson ou se já sei o que a Heather Brooke vai fazer a seguir. Não me importo mesmo nada. A partir do momento em que o produto tem qualidade e me agrada, podemos seguir em frente com uma maratona cultural, contando que hajam fartas quantidades de pevides e algum tipo de bebida que não tenha um sabor muito intenso a vinagre. Podem contar comigo.

Pelas razões acima descritas e por outras que não vale a pena estar agora aqui a escrutinar, até porque ninguém está minimamente interessado e porque me cansaria a enumerá-las todas, também aprecio uma vez por outra dar uma nova leitura num ou outro título literário que mais me fez sentir iluminado. Não estou a incluir, como é óbvio, nenhum dos números da saudosa revista Mecânica Popular, que o meu pai coleccionou doentiamente anos a fio, nem mesmo aquele onde demorei semanas a aprender a pavimentar a condignamente os carreiros do meu jardim japonês, isto apesar de viver num apartamento.

Nada disso. Existem grandes obras encardenadas que apesar de terem tarimba para poderem ombrear com pesos pesados vindos de indivíduos como Tolstoi, Hemingway, Orwell ou Shakespeare, encontraram o seu espaço num outro mundo paralelo.
Neste caso e sendo um desfilar de escritos aos quais não viro a cara para repetidas leituras, quero deixar à vossa consideração esse testemunho de uma geração que levou por título “A Minha Vida É Um Cabaret”, rabiscado pelas mãos do conhecido Rui Unas.

Leitura aconselhada, este registo de crónicas do jovel apresentador presenteia-nos com verdadeiras pérolas de conhecimento e reflexão, algumas das quais gostaria aqui de partilhar, como o caso do parágrafo seguinte, cujo conteúdo versa o virtual desaparecimento da tão apreciada e nobre arte da espanholada! Para vosso deleite:

“Meus bons amigos... É com pesar que constato que a punheta de mamas, ou punheta à espanhola, se preferirem, está em vias de extinção. Os filmes pornográficos são exemplo do que vos falo. Já não se vê um maroto a deslizar alegremente por entre dois salientes seios, como antigamente! Agora, é só cenas demasiado arriscadas nos filmes de baixo orçamento destinado ao guarda-roupa! Como se fosse fácil convencer uma menina a participar numa orgia, numa cena lésbica, numa dupla ou tripla penetração! Ainda, hoje, mulheres há que têm medo de uma investida à retaguarda, quanto mais o resto!!! Agora, a inocente punheta de mamas? Por que foi votada ao esquecimento? Estimado leitor ou leitora, há quanto tempo não pratica uma espanhola com o/a seu/sua companheiro/a? Eu confesso que, nas noites frias de Inverno, gosto de agasalhar o maroto por entre o vale quente e húmido que um par de mamas esconde.”

Pois é, meus caros amigos, leitores e restantes adeptos de substâncias ilícitas que por tédio ou puro azar vieram parar a este bastião de barbaridades! Pois é! O indivíduo tem umas opiniões valentes, como neste outro excerto acerca dessa franja da sociedade que são os pitófilos:

“A pitofilia é o desejo por pitas. Tout court! Gostar de pitas! Mas, talvez seja importante explicar ao leitor menos informado o que é uma pita. A pita, tecnicamente, tem entre 13 e 18 anos no entanto, não se enganem, meus amigos, a pita tem a capacidade de despertar a libido dos mais incautos. Ah, pois é! A pita exibe o que tem e o que ainda não tem! Ou seja, as transformações que a adolescência promove ainda não terminaram, todavia, na sua cabecita, ela pensa que «tem tudo no sítio», e não se inibe em mostrar as pernitas, a barriguita, as mamitas... E ainda bem... Mesmo que não passe ainda de de projecto de mamas e de rabo, a pita tem a tonicidade que as mulheres mais velhas invejam, é a sua grande mais-valia!”.

Assim é, estimados, que deixo este conselho de leitura para as noites frias que se aproximam. Apesar de ter sido publicado pela Texto Editora em 2004, certamente que não será difícil encontrá-lo ainda por um escaparate ou outro. Afinal de contas, ainda se vendem por aí Bíblias como tremoços e já ninguém se lembra quando aquilo foi editado, não é verdade?

Para vos deixar seguir em busca desta pérola, qual Graal do pensamento moderno, deixo para terminar este pedaço versando o tema da roupa interior feminina:

“Mas o teor da nossa conversa versou mais sobre os tipos de roupa íntima, em particular aquela que embrulha o pacote, que nos põe em ponto de ebulição. A conclusão unânime foi: o fio dental será sempre o fio dental! Qualquer rabiosque, ossudo ou massudo, mesmo disforme, ganha um outro élan emoldurado em fio dental. Revela confiança e despudor. Todos gostamos. Especialmente aquele modelo, bem pragmático, que as strippers usam e que se desprende de lado, num estalar de dedos! ...
... Melhor, melhor, melhor são as mulheres que não usam absolutamente nada por baixo. Uma mulher de saias sem cuecame... é uma mulher arejada! Só pode... É vê-la o dia todo, toda contentinha, com um sorriso nos lábios. E acreditem que nós agredecemos!”

sexta-feira, setembro 29, 2006

Acho mal...

... que ainda hoje se comente tanto acerca da música de qualidade duvidosa que foi feita durante a década de oitenta, quando ainda tantas pessoas continuam a ouvir Delfins hoje em dia e pior do que isso, a gostar...


quinta-feira, setembro 28, 2006

Eu nem gosto assim tanto de caracóis


Aliás, para ser bastante mais fiel, acho que já nem me recordo com exactidão da última experiência que vivi, enquanto degustador desses pequenos seres hermafroditas, mas à distância a que estou, não me é complicado lembrar que o melhor sabor da mesa era o da cerveja fresca...

O caracol não é de todo o meu petisco de eleição, por norma prefiro alimento que encha mais a boca, mas isso sou eu. Não me importo de um ou outro caracolinho a servir de companhia, mas nada que me obrigue a utilizar objectos pontiagudos para satisfazer apetites profundos. Em repasto e em delícia, se for pitéu para ser exposto e pronto a dar-se à refeição em apenas dois rápidos e precisos movimentos de polegares, então temos festarola gastronómica. Coisa para durar horas mesmo, até que nos comece a escorrer pela proeminente queixada o molho ligeiramente temperado a sal e nos comece a passar pela ideia a hora de repousar, tal não são os jeitos e trejeitos que os maxilares já foram obrigados a fazer para alimentar um sorriso de satisfação e bem-estar.

Mas não, caracóis não são mesmo o meu pratinho de fim de tarde, mas sabem como é, até mesmo os piores momentos da cultura humana são conhecidos por algum tipo de designação, nome, alcunha, seja aquilo que for e este não poderia fugir a essa regra.

Eu devo achar mesmo que sou um desocupado de primeira, para me pôr em novo endereço de parágrafos e pontuações, pensamentos, prosas e desaforo pessoal em geral. Todos os outros não chegavam, não? Alguns deles já quase nem chegam a ser tocados com uma pequena frase sem vírgulas, para quê estar ainda a fazer nascer outro?
Talvez seja absurdo meu, mas vejo aqui alguma analogia àquela velha fantasia do imaginário masculino de partilhar o leito com duas mulheres em simultâneo, em que mesmo sabendo que essas poderiam estar garantidas, havendo oportunidade de adicionar mais alguma coisinha à equação, mais seriam bem-vindas à rambóia. Mas sejamos sinceros, todos sabemos que não somos propriamente corredores de fundo nesta matéria e que sem o precioso auxílio de uma ou outra substância desinibidora de vontades e de limites, as nossas actuações podem até vir a ser consideradas recordes de velocidade. No fundo, é o melhor pretexto para nos podermos questionar: precisaremos assim de tanta mulher junta ao mesmo tempo para nos dizer como somos rápidos?
Ou seja, com um sítio à disposição onde depositar frutos de ócio ou com vários outros, conheço exactamente a velocidade a que concedo que as minhas alucinações se tornem naquilo que são, no que não são e no que nunca deveriam ter sido, mas ainda assim, quero sempre mais, pois tudo é diferente ainda que venha ao mundo da mesma forma.

E tudo isto porque apesar de não ser grande apreciador de caracóis, prefiro ser rápido na companhia de duas almas femininas (ou mais), do que estabelecer um recorde fundista tendo por parceiros uma embalagem de lubrificante e dois lenços de papel...