quinta-feira, setembro 28, 2006

Eu nem gosto assim tanto de caracóis


Aliás, para ser bastante mais fiel, acho que já nem me recordo com exactidão da última experiência que vivi, enquanto degustador desses pequenos seres hermafroditas, mas à distância a que estou, não me é complicado lembrar que o melhor sabor da mesa era o da cerveja fresca...

O caracol não é de todo o meu petisco de eleição, por norma prefiro alimento que encha mais a boca, mas isso sou eu. Não me importo de um ou outro caracolinho a servir de companhia, mas nada que me obrigue a utilizar objectos pontiagudos para satisfazer apetites profundos. Em repasto e em delícia, se for pitéu para ser exposto e pronto a dar-se à refeição em apenas dois rápidos e precisos movimentos de polegares, então temos festarola gastronómica. Coisa para durar horas mesmo, até que nos comece a escorrer pela proeminente queixada o molho ligeiramente temperado a sal e nos comece a passar pela ideia a hora de repousar, tal não são os jeitos e trejeitos que os maxilares já foram obrigados a fazer para alimentar um sorriso de satisfação e bem-estar.

Mas não, caracóis não são mesmo o meu pratinho de fim de tarde, mas sabem como é, até mesmo os piores momentos da cultura humana são conhecidos por algum tipo de designação, nome, alcunha, seja aquilo que for e este não poderia fugir a essa regra.

Eu devo achar mesmo que sou um desocupado de primeira, para me pôr em novo endereço de parágrafos e pontuações, pensamentos, prosas e desaforo pessoal em geral. Todos os outros não chegavam, não? Alguns deles já quase nem chegam a ser tocados com uma pequena frase sem vírgulas, para quê estar ainda a fazer nascer outro?
Talvez seja absurdo meu, mas vejo aqui alguma analogia àquela velha fantasia do imaginário masculino de partilhar o leito com duas mulheres em simultâneo, em que mesmo sabendo que essas poderiam estar garantidas, havendo oportunidade de adicionar mais alguma coisinha à equação, mais seriam bem-vindas à rambóia. Mas sejamos sinceros, todos sabemos que não somos propriamente corredores de fundo nesta matéria e que sem o precioso auxílio de uma ou outra substância desinibidora de vontades e de limites, as nossas actuações podem até vir a ser consideradas recordes de velocidade. No fundo, é o melhor pretexto para nos podermos questionar: precisaremos assim de tanta mulher junta ao mesmo tempo para nos dizer como somos rápidos?
Ou seja, com um sítio à disposição onde depositar frutos de ócio ou com vários outros, conheço exactamente a velocidade a que concedo que as minhas alucinações se tornem naquilo que são, no que não são e no que nunca deveriam ter sido, mas ainda assim, quero sempre mais, pois tudo é diferente ainda que venha ao mundo da mesma forma.

E tudo isto porque apesar de não ser grande apreciador de caracóis, prefiro ser rápido na companhia de duas almas femininas (ou mais), do que estabelecer um recorde fundista tendo por parceiros uma embalagem de lubrificante e dois lenços de papel...

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