Conheço pessoas que não gostam de ver o mesmo filme duas vezes. Eu cá não me importo nada. Não me importa se já vi a Aria Giovanni naquela cena ou não, se já conheço de cabeça aquele diálogo da Jenna Jameson ou se já sei o que a Heather Brooke vai fazer a seguir. Não me importo mesmo nada. A partir do momento em que o produto tem qualidade e me agrada, podemos seguir em frente com uma maratona cultural, contando que hajam fartas quantidades de pevides e algum tipo de bebida que não tenha um sabor muito intenso a vinagre. Podem contar comigo.
Pelas razões acima descritas e por outras que não vale a pena estar agora aqui a escrutinar, até porque ninguém está minimamente interessado e porque me cansaria a enumerá-las todas, também aprecio uma vez por outra dar uma nova leitura num ou outro título literário que mais me fez sentir iluminado. Não estou a incluir, como é óbvio, nenhum dos números da saudosa revista Mecânica Popular, que o meu pai coleccionou doentiamente anos a fio, nem mesmo aquele onde demorei semanas a aprender a pavimentar a condignamente os carreiros do meu jardim japonês, isto apesar de viver num apartamento.
Nada disso. Existem grandes obras encardenadas que apesar de terem tarimba para poderem ombrear com pesos pesados vindos de indivíduos como Tolstoi, Hemingway, Orwell ou Shakespeare, encontraram o seu espaço num outro mundo paralelo.Neste caso e sendo um desfilar de escritos aos quais não viro a cara para repetidas leituras, quero deixar à vossa consideração esse testemunho de uma geração que levou por título “A Minha Vida É Um Cabaret”, rabiscado pelas mãos do conhecido Rui Unas.
Leitura aconselhada, este registo de crónicas do jovel apresentador presenteia-nos com verdadeiras pérolas de conhecimento e reflexão, algumas das quais gostaria aqui de partilhar, como o caso do parágrafo seguinte, cujo conteúdo versa o virtual desaparecimento da tão apreciada e nobre arte da espanholada! Para vosso deleite:
“Meus bons amigos... É com pesar que constato que a punheta de mamas, ou punheta à espanhola, se preferirem, está em vias de extinção. Os filmes pornográficos são exemplo do que vos falo. Já não se vê um maroto a deslizar alegremente por entre dois salientes seios, como antigamente! Agora, é só cenas demasiado arriscadas nos filmes de baixo orçamento destinado ao guarda-roupa! Como se fosse fácil convencer uma menina a participar numa orgia, numa cena lésbica, numa dupla ou tripla penetração! Ainda, hoje, mulheres há que têm medo de uma investida à retaguarda, quanto mais o resto!!! Agora, a inocente punheta de mamas? Por que foi votada ao esquecimento? Estimado leitor ou leitora, há quanto tempo não pratica uma espanhola com o/a seu/sua companheiro/a? Eu confesso que, nas noites frias de Inverno, gosto de agasalhar o maroto por entre o vale quente e húmido que um par de mamas esconde.”
Pois é, meus caros amigos, leitores e restantes adeptos de substâncias ilícitas que por tédio ou puro azar vieram parar a este bastião de barbaridades! Pois é! O indivíduo tem umas opiniões valentes, como neste outro excerto acerca dessa franja da sociedade que são os pitófilos:
“A pitofilia é o desejo por pitas. Tout court! Gostar de pitas! Mas, talvez seja importante explicar ao leitor menos informado o que é uma pita. A pita, tecnicamente, tem entre 13 e 18 anos no entanto, não se enganem, meus amigos, a pita tem a capacidade de despertar a libido dos mais incautos. Ah, pois é! A pita exibe o que tem e o que ainda não tem! Ou seja, as transformações que a adolescência promove ainda não terminaram, todavia, na sua cabecita, ela pensa que «tem tudo no sítio», e não se inibe em mostrar as pernitas, a barriguita, as mamitas... E ainda bem... Mesmo que não passe ainda de de projecto de mamas e de rabo, a pita tem a tonicidade que as mulheres mais velhas invejam, é a sua grande mais-valia!”.
Assim é, estimados, que deixo este conselho de leitura para as noites frias que se aproximam. Apesar de ter sido publicado pela Texto Editora em 2004, certamente que não será difícil encontrá-lo ainda por um escaparate ou outro. Afinal de contas, ainda se vendem por aí Bíblias como tremoços e já ninguém se lembra quando aquilo foi editado, não é verdade?
Para vos deixar seguir em busca desta pérola, qual Graal do pensamento moderno, deixo para terminar este pedaço versando o tema da roupa interior feminina:
“Mas o teor da nossa conversa versou mais sobre os tipos de roupa íntima, em particular aquela que embrulha o pacote, que nos põe em ponto de ebulição. A conclusão unânime foi: o fio dental será sempre o fio dental! Qualquer rabiosque, ossudo ou massudo, mesmo disforme, ganha um outro élan emoldurado em fio dental. Revela confiança e despudor. Todos gostamos. Especialmente aquele modelo, bem pragmático, que as strippers usam e que se desprende de lado, num estalar de dedos! ...
... Melhor, melhor, melhor são as mulheres que não usam absolutamente nada por baixo. Uma mulher de saias sem cuecame... é uma mulher arejada! Só pode... É vê-la o dia todo, toda contentinha, com um sorriso nos lábios. E acreditem que nós agredecemos!”
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